Porto

2 anos de casados

Gabriel

3/29/20267 min read

PLAYLIST VIBES PORTO

Se quiser, pode viver a leitura desse post ao som das músicas que escutamos nos restaurantes e spots dessa viagem incrível!

Sempre quisemos ir ao Porto. Antes de vir a Portugal, eu imaginava o quão interessante seria a cultura do país, a culinária, as noites.

Entretanto, a cidade do Porto tinha um lugar especial em nossas metas. Então colocámos como um objetivo numa lista. Ao mesmo tempo em que tomou forma no papel colado na geladeira, tomou forma em nossos corações.

Aproveitamos nosso aniversario de casamento, na realização de 2 anos em comunhão, para visitar este point em particular, como forma de comemoração. Passagens compradas, hotel reservado, entusiasmo alto.

Lembro de observar bem a costa do país durante o voo, perceber como os conglomerados de casas dividem a terra com os campos e plantações. Vi mais uma vez que algumas coisas estão muito mais próximas do que pensamos.

Nosso pouso foi ótimo. Nossa ida ao hotel foi acompanhada por um motorista também brasileiro, o que nos rendeu uma conversa agradável. O primeiro contacto com um colega português foi muito bom: um simpático senhor da recepção onde nos hospedamos nos indicou onde comer, nos divertir, quais locais visitar — e acabou que vimos muito pouco do que ele indicou, mas apenas a boa conversa já valeu a pena.

Desfrutar do momento presente em viagens sempre será algo a que atribuímos imenso valor. Muito do que movimentamos em nossa vida é exatamente para isso, e dessa vez não foi diferente.

Decidimos descer até à Ponte Dom Luís, e no caminho encontramos vários encantos.

A arquitetura é antiga e linda, e transmite aquela sensação de que muitas coisas já aconteceram ali. De que estamos sendo presenteados com o lindo e rápido deslumbre do tempo, uma breve passagem pela vida.

As cores do fim da tarde nos trouxeram a serenidade do azul nos prédios, nas construções, ao mesmo tempo que o tom amarelo das bonitas lamparinas se espalhava por todo canto.

É interessante perceber as diferenças em comparação ao sul do país, o Algarve, que é onde moramos. No Porto percebemos mais movimento, maior turismo no inverno, e todos afim de conhecer um pouco do porquê a cidade é tão famosa. Existem filas para as melhores fotos nos pontos turísticos (o que particularmente optamos por evitar, pois preferimos o movimento natural da circulação de pessoas, a vida como ela é, sem filtros de perfeição, sem "cena limpa"). Vá com o coração aberto para a vida, pois com certeza cada detalhe será um aprendizado.

Ficamos felizes pela oportunidade de perceber o belo nas coisas em que, para os habitantes e amigos que já visitaram o Porto, podem parecer comuns (até demais). Placas de comércios locais, pixos, a cena urbana. Claro, entendemos que o contacto contínuo rotineiro pode torná-la, talvez, monótona. Entretanto, para nós, ver igrejas ao centro da cidade, prédios e formas que esbanjam beleza e complexidade arquitetónica foi, de fato, muito satisfatório.

Até que tivéssemos chegado próximo ao cais, e também à ponte, já havíamos colecionado fotos, sorrisos, pensamentos e conversas que vou, com muito carinho, lembrar para sempre. Foi absolutamente fácil fotografar enquanto andávamos — não faltou para onde apontar a câmara; sobrou perspectiva, sobrou presença.

Chegar à ponte foi especial. Era um lugar onde certamente todos os que turistavam doaram sua atenção. A vista trouxe o respiro. Talvez, em alguma realidade diferente desta, não teríamos visitado o Porto — mas não consigo nos imaginar nela.

Estar ali é quase como ter ganhado a chance de abraçar a história, presenciar o que foi construído lá atrás, pensando em como manter algo que faria amizade íntima com o tempo. As fotografias são uma dádiva.

A Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau é muito divertida. Deparamo-nos com um músico a tocar piano, que preencheu o lugar com bela música.

Descer ao cais da Ribeira de Gaia foi extremamente divertido. Passámos por vielas, descemos escadas; algumas casas tinham à porta várias casinhas e potes para ração dos moradores felinos. Gostamos de como o conforto visual surpreende por ser vasto.

Paredes carregam pinturas bonitas, os tijolos à mostra um charme, e as luzes, em meio ao escuro da noite, evidenciavam detalhes que o dia esconde.

Tivemos a sorte de escolher o que (até então) podemos chamar de melhor sushi que já comemos, no Temple D'ouro. Uma excelente escolha. Ambiente moderno, acolhedor e divertido, com peças saborosas e um amplo cardápio.

A noite ao lado de fora foi enfeitada com a vista da parte inferior da ponte. Cada viga nos faz perceber o quão majestosa ela é. Fica evidente a capacidade do homem, a potência em projetar e executar. A ponte é simplesmente colossal, assim como os detalhes que encontramos ao redor.

Os adornos, as placas — o Porto conta muito bem a sua história, usa todos os espaços possíveis, torna fácil estar presente e desfrutar do nosso redor. Lindo.

Claro, quase toda viagem tem aquele momento em que o turista beira o desespero. Nos deslumbramos, gravamos e fizemos muitas fotos, e aos 1% de nossa última bateria, precisávamos ir embora para casa. Então chamámos nosso Uber. E assim, nosso aparelho desligou, nos deixando na Ribeira torcendo para que tudo desse certo :D.

Como temos suporte divino e andamos sempre de mãos dadas com a sorte (claro), não havia como dar errado nesse momento tão especial e aguardado por nós. Nosso carro chegou poucos minutos depois, nos levou de volta ao hotel para o merecido descanso.

O repouso veio com a lua, e a animação com o sol. O plano era simples: aproveitar o que o calor do dia poderia nos proporcionar.

Como bons amantes e apreciadores de pastéis de nata, fomos à Manteigaria, próxima à Torre dos Clérigos — o que pode ter sido um dos momentos mais singelos e gostosos: comer o melhor pastel que já comemos e tomar o café que qualquer mineiro merece.

Algo que nutriu nosso leitor interior aconteceu: passávamos pela porta da Livraria Lello e o nosso silêncio foi quase imediato. O jazz de um artista local enfeitou a rua. As prateleiras com belos livros, as escadas adornadas são lindas, e o vitral no teto, feito pelo artista holandês Samuel Van Krieken, esbanja a frase Decus in Labore (dignidade no trabalho). Esse momento nos inspirou. É de tirar o fôlego — poderíamos ter ficado por muito tempo só a observá-lo. Só não o fizemos porque ainda tínhamos muito pela frente.

A Fonte dos Leões e a Igreja do Carmo nos deram um momento para sentar e respirar. Nessa altura, veio a ideia de experimentar a famosa francesinha — então fomos à procura, sem um restaurante específico, o que ainda colocou no caminho o Jardim da Cordoaria, na Casa Guedes (Progresso).

Não me perguntava, nessa altura, sobre onde estávamos ou o que estávamos fazendo. Apenas estávamos ali, como parte de tudo.

E realmente é tudo isso, sim. A francesinha é diferente — não ousamos compará-la a nada que conhecíamos antes. É bem substancial, muito saborosa, e vale a pena conhecer.

Gostamos muito de reencontrar a paz que é comer algo que nos planejamos e depois sair para passear.

Seguimos em direção a algo especial, que estava reservado para o final do trajeto. Vimos lindas esculturas pelas paredes da cidade. Descemos, dessa vez, até ao cais da Ribeira. Pudemos ver como algumas coisas funcionam, observar o movimento dos moradores, dos estabelecimentos — tudo isso carregado de curiosidade sobre o dia a dia dali.

Passamos novamente pela parte de baixo da ponte, antes de irmos à nossa visita guiada à Poças Wine. Afinal, o que seria ir ao Porto sem experimentar vinho?

Foi simplesmente fantástico. Conhecer uma tradicional vinícola é mais interessante do que aparenta — ver um refinado e antigo processo ser passado de geração em geração nos emocionou muito. Nem preciso dizer sobre a prova de vinhos: nosso paladar viajou por lugares que não imaginávamos.

A caminhada até ao Jardim do Morro nos rendeu momentos bonitas e engraçados: observamos arte até em bueiros, cerâmicas maravilhosas em construções esquecidas e erodidas pelo tempo. Uma simples (porém esplêndida) melancia numa horta caseira.

O pôr do sol em Gaia é lindo. O Porto é lindo. Somos eternamente gratos pela experiência.

Muito de nossa vida foi impulsionado pela influência do ambiente em que estivemos.

Ainda precisamos voltar — tenho certeza de que ainda há o que ser visto ali, e com toda certeza serão dias mágicos como estes foram. Abraços, e até a próxima!

Por Gabriel.